A PAIDEIA GREGA E A EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA

Ao falar de Paideia, o termo cunhado na Grécia que dá nome a esse blog, logo surge a ideia de que tal termo refere-se à educação integral do indivíduo, não apenas voltada para o conhecimento necessário para o exercício laboral, mas também para a sua formação enquanto cidadão.

O conceito de cidadão, embora nos remeta a tempos ainda mais pretéritos, ganhou na Grécia uma definição mais ampla, e o exercício da cidadania foi, pela primeira vez, realmente aplicado.

Mas falar de Paideia é, também, falar de outro aspecto da educação, menos técnico e mais social. Ainda que não houvesse uma definição precisa do termo em comento, a preocupação dos gregos com a educação integral, visando a formação do cidadão, era tão grande, que era compreensível para eles que seres humanos melhores seriam capazes da transformação da sociedade em algo ainda melhor, entendendo ser o indivíduo um agente social. Ainda assim, era a educação, em toda sua extensão, acessível a poucos. Sócrates foi um dos primeiros pensadores gregos a defender o acesso universal à educação, através dos ensinamentos transmitidos em ambientes públicos. Embora não se tenha nenhum registro dos escritos de Sócrates, conhecemos seu pensamento em razão dos depoimentos de seus discípulos.

A educação universal defendida por Sócrates, sem que houvesse cobrança em relação ao que era transmitido, é corroborada pela máxima cristã “dai de graça o que de graça recebeste”. Nos nossos dias, embora seja inconcebível esse tipo de posicionamento, a universalização do conhecimento ainda pode ser considerada um caminho para a transformação da sociedade, tendo por base o anseio humano pelo crescimento e emancipação. Contudo, vale lembrar que a Paideia, ou melhor, a formação do cidadão em sua plenitude, só poderá trazer efeitos realmente positivos quando o seu público, ou melhor, o receptor do conhecimento, não for mais tão somente um, mas sim o todo.

Situar a Paideia dentro do contexto educacional contemporâneo pode parecer, em princípio, algo muito distante, haja vista a mercantilização da educação formal e seus objetivos paralelos, mas ao pensar na transformação da sociedade e no combate à vulnerabilidade em que muitas pessoas se encontram, tal desafio pode se converter num compromisso não tão somente de mentes mais sonhadoras, mas sim na constituição de uma rede de trabalho disposta a formar, antes de mais nada, cidadãos, no sentido amplo do termo.

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Publicado em 20 de abril de 2012, em Artigos e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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